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Finalmente chegou em nossa redação o CD "Tupinikim", segundo disco solo do mineiro Carlos Farias, gravado no ano passado no estúdio Via Sonora através do selo Epovale Produções Artísticas, com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte. Trata-se de um disco arrojado e de múltiplas leituras, a começar pelas fotos da capa e contracapa: verdadeiramente impactantes e cheias de significado!
Letras bem feitas (assinadas pelo próprio e parceiros como Gonzaga Medeiros, Pedro Boi, Jorge Santos, Tim do Norte, Wilson Dias, Caio Duarte, Crisolina Guimarães) associadas à musicalidade e ritmo peculiares do Carlos Farias resultaram em doze canções completamente dançantes, falando de cidadania, direitos humanos, ecologia, amor e paixão, sem pieguice nem lamúrias. Várias delas tem servido de inspiração e fonte de pesquisa para muitos estudantes, segundo Carlos Farias. Além de músico, ele também é psicólogo e vem realizando palestras-show em várias escolas de Minas, enfocando os temas das canções.
É um disco positivo, contemporâneo na forma e no conteúdo. A mistura de ritmos afro-brasileiros como o afoxé, o maracatu, o batuque / moçambique, o baião, o samba, o frevo e o reggae com o pop e levadas jazzísticas conferiram universalidade à obra, sem perder o sotaque regional. Se fossemos escolher rótulos para enquadrá-lo, diríamos que é um disco étnico, pela presença negra e indígena; também poderia ser "world music" , pela abrangência dos temas e ritmos.
A presença de um trio de metais (sax, trompete e trombone) na metade das canções, mais flauta, violões, viola, acordeon e uma instigante percussão em todas elas, realçaram o caráter semi-acústico do disco. O piano, a guitarra e o baixo elétricos, tocados sem arroubos nem firulas, acrescentaram o toque de modernidade ao conjunto.
A participação dos convidados especiais ( o violeiro Chico Lobo na sensacional releitura de "Galos, Noites e Quintais" do Belchior; o índio Maurozinho Maxakali na emblemática "Tupinikim" e o talento de Maurício Tizumba no delicioso "Batukim Brasileiro" ) enriqueceu o trabalho.
A conduzir tudo isso está Carlos Farias, que se revela um cantor/compositor amadurecido e ciente do que quer. Do projeto inicial à seleção do repertório, passando pelos arranjos de base e vocais, tudo teve o seu dedo. Destaque para as sutilezas da sua interpretação em cada música, resultado provável da sua rápida experiência no teatro, nos anos oitenta.
"Tupinikim" é um disco que passa a limpo a nossa brasilidade. Além de reforçar o talento de Carlos Farias, ele mostra como Belo Horizonte e Minas Gerais realmente constituem um importante polo irradiador da melhor música brasileira.
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